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BRASIL, Nordeste, RECIFE, Mulher, de 26 a 35 anos



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DIREITOS, DE QUEM?

Quando eu era criança, minha mãe sempre me reprendia por causa da minha forma, segundo ela, radical, de resolver a maioria dos assuntos. Se algum coleguinha me irritava, não contava pipoca (olha que termo antigo eu fui buscar!): dava dois gritos, se não resolvesse, metia a porrada no menino ou na menina. Cresci, e minha paciência, encolheu ainda mais. Cresci ainda mais e me tornei adulta. Para minha mãe, isso só aumentou a preocupação. Isso porque, agora, dona (de fato e de direito) do meu nariz, ela sempre temeu que eu "fizesse uma besteira qualquer" e acabasse com a minha vida. Besteira qualquer, leia-se era matar alguém num desses acessos de "odeio burrice" e "não suporo enchição de saco". bem, não matei.. mas confesso que quase o fiz algumas vezes. Mas também nunca fui de levar desaforo para casa (que meus filhos não leiam isso porque eu tenho tentando passar uma visão mais pacificadora para eles). O fato é que sempre fui favorável a algumas medidas controversas, a exemplo da pena de morte em caso de estupro, assassinato e outros crimes cometidos contra pessoas sem defesa, especialmente crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais.

Nunca aceitei pacificamente nem aqueles argumentos dos defensores dos direitos humanos de que "no Brasil muito inocente iria morrer até que se provasse que não tinham nada a ver com o crime de que eram acusados". Minha resposta sempre enloqueceu os "humanitários" especialmente minha irmã, advogada e boa-praça. Eu dizia: Paciência. Morre inocente todo o dia e nada muda. Bem, estou escrevendo isso tudo porque mais uma vez me convenço que a pena de morte pode sim, ser um elemento importante para fazer com que esses merdas que matam e estupram deixem a gente em paz. Esse caso do sequestro, estupro e assassinato da pequena Laís, que aconteceu na cidade de Limoeiro, no interior de Pernambuco, me fez pensar novamente nisso tudo.

Como é que um cara, que está preso por "atentando violento ao pudor", praticado contra duas crianças, passeava, livremente pela cidade? Como  é que um monstro desse teve acesso a porta de uma escola, onde se aproveitou da inocência de uma criança para acabar, de uma só vez, com a vida dela e de toda sua família? Peraí.. a culpa é da legislação? E quem fez essa legislação? Os mesmos hipócritas que se dizem contra a pena de morte. Os mesmos que em época de eleição, aparecessem prometendo que os bandidos perigosos jamais atacarão nossos filhos porque serão vigiados, e os outros - aqueles "pobrezinhos" que são recuperáveis, sairão das unidades prisionais mais puros que a Madre Teresa de Calcutá. Pois eu digo em alto e bom som: É MENTIRA!

Eu não aguento mais essa hipocrisia. Não aguento mais essa coisa de "vamos dar mais uma chance"? Chance de que? De um filho da puta desse matar mais quantas crianças? De um desgraçado desse atentar contra a mãe, os filhos, os irmãos de quem? Meus? teus? Não. Pára. Eu não quero mais isso! Eu quero poder sair de casa sem medo de deixar meus dois filhos órfãos. Eu quero poder deixar meus filhos irem para a escola sem suar frio. Eu quero que minha família possa voltar a frequentar lugares públicos sem medo, sem terror. Eu quero viver e quero que as pessoas vivam também. Se para isso, alguém que matou, tenha que morrer: que morra!

Logo abaixo segue uma matéria da Agência Estado que trata, indiretamente desse assunto. Eu gostei.

 

Aposentada que baleou ladrão receberá medalha


No dia 8 de outubro, ela baleou no Rio um homem que tentou assaltá-la

Roberta Pennafort

RIO - No dia em que o referendo do desarmamento faz um ano, a aposentada Maria Dora dos Santos Arbex, de 67 anos, receberá a medalha Pedro Ernesto na Câmara dos Vereadores do Rio. No dia 8, ela baleou no Flamengo, zona sul, um homem que tentou assaltá-la.

Maria Dora havia saído de casa para passear com o cachorro levando o revólver da filha na bolsa. O ladrão, que já a havia abordado antes, ameaçou matar o cão caso ela não desse o celular. Maria Dora atirou na mão do homem, que foi preso. Acabou autuada por porte ilegal de arma e lesão corporal e responde em liberdade.

O filho Márcio dos Santos Arbex contou que a mãe ficou feliz com a medalha. ´Minha mãe se arrependeu, preferia que nada tivesse acontecido naquele dia, mas gostou da homenagem.´

O autor da idéia, vereador Carlos Bolsonaro (PP), que fez campanha pelo não, não concorda com as críticas que recebeu de entidades pró-desarmamento, juristas e policiais por condecorar alguém que fez justiça com as próprias mãos. ´Por que não entregar a medalha a quem mostra que a segurança pública está cada vez mais falha?´

Fonte: AGÊNCIA ESTADO

PS: sim, esqueci de comentar. No mesmo dia em que a "competente" Polícia pernambucana desconriu que Laís estava morta, eu fui assaltada, às 6h da noite, ao lado da minha mãe. Um desses filhos da puta que mais tarde vai tentar - se já não o fez - estuprar e matar alguma pessoas indefesa colocou uma arma na cabeça da minha mãe. Ele queria o celular. Eu queria minha mãe viva. Ele levou o celular e reforçou a minha disposição de brigar para que ele e outros filhos da puta deixem de existir! Querida Paula, desculpe, mas é tudo a mais pura verdade.



Escrito por moncha às 13h24
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Caraca.. pense no tempo sem atualizar esse blog... como sempre a promessa de dar mais atenção ao meu pobre-sempre-esquecido blog fica só no campo do pensamento.... Bem, mas vamos ao que interessa. O fato é que o primeiro turno já passou, Cleiton Collins (isso, aquele mesmo do jingle infame!) foi o campeão de votos para Assembléia Legislativa; Severino e Ana Cavalcanti ficaram de fora da festa eleitoral; Inocêncio Oliveira - o eterno, um dos maiores concorrentes de Munhad - voltou ao Planalto; Humberto Costa ficou de fora da disputa pelo governo estadual (para alegria de alguns petistas né não?!) e por ai vai.... Agora, com o segundo turno já no meio-tempo. Com o governador-candidato Mendonça Filho (PFL) preocupado com as galinhas e os sempre presentes precatórios e Eduardo Campos (PSB) quase conclamando os pernambucanos a explodirem a Celpe (eu sou totalmente favorável a essa opção!) as coisas vão acontecendo.. e a gente observando. No plano nacional, a bagunça é grande. De um lado o Geraldo (que já foi Alckmin e agora é o que "não vai privatizar") corre de um lado para o outro sem saber o que fazer para barrar o presidente barbudo. O petista, por sua vez, fez papel de bobo no debate e sinceramente poderia estar em uma situação bem melhor, se não tivesse pisado tanto na bola! Bem, tudo isso é só para dizer que estou viva e esse blog também!

Ai vai um bom texto de Franklin Martins, onde ele analisa mais um dos preconceitos merdas desse País.

Na reta final, é preciso cuidado para não se envenenar o país


25.09.2006


Coluna do iG
Pretendia escrever a coluna de hoje sobre as discrepâncias entre as mais recentes pesquisas do Ibope e do Datafolha. Mas mudei de idéia ao ler matéria publicada no Estadão desta segunda-feira sob o título “Rigor com a corrupção na política varia com região e condição social” e o subtítulo “Eleitor do Nordeste expressa maior tolerância com desvios do que o do Sudeste”. É séria candidata ao primeiro lugar da campanha “Vamos envenenar este país” em curso em muitos jornalões brasileiros.

Jogando com números de uma pesquisa do Ibope que não prova nada, a matéria tenta sustentar a tese de que os nordestinos, os pobres e os negros dão menor valor à questão ética do que os habitantes do “Sul Maravilha”, os ricos e os pobres. Diz o Estadão: “No Nordeste, 10% dos eleitores declaram que votariam em político acusado de corrupção – índice próximo do Norte/Centro-Oeste, que é de 9%. No Sul e no Sudeste, esses índices são de 6% e 7%, respectivamente”.

Na realidade, as variações são mínimas, estão dentro da margem de erro da pesquisa e não indicam absolutamente nada. Aliás, se alguma coisa pode se depreender desses números é que, na valoração da questão ética, há um padrão razoavelmente homogêneo nas diferentes regiões do país – e não o contrário.

Mas há mais. O Estadão avalia também que a pesquisa do Ibope permite estabelecer relação entre cor de pele e rigor moral: “Os que se autodeclaram brancos são mais implacáveis com a ética: 88% não votariam num corrupto; os que se autodeclaram pardos cobram menos e 85% não votariam em indiciados por corrupção; mas os que se autodeclaram pretos são os menos rígidos com a ética: só 82% negam o voto a corruptos”. Queira-se ou não, a idéia que se passa é de que, quanto mais escurinha for a cor da pele, maior será a frouxidão com valores éticos.

Tenha a santa paciência. Está claro que o jornal tinha uma tese. Encomendou a pesquisa para dar-lhe sustentação, digamos, científica. O levantamento, porém, não comprovou o postulado (ou o preconceito). Se houvesse bom senso, arquivava-se o assunto. Mas, como alguém quer provar, sabe-se lá por quê, que o povão não “está nem aí” para a corrupção e que nossa elite tem padrões morais dignos de Catão, a pesquisa rendeu matéria.

Mais um pouco e descobriremos que os pobres, os nordestinos e os negros são os responsáveis pela corrupção no país, que os ricos não têm nada a ver com isso, que em São Paulo nunca se pagou nem se recebeu propina e que os brancos sempre repeliram com veemência a idéia de pagar ou de levar um “por fora”.

Não sei por quê, mas lembrei-me do samba “Não é conselho”, de Dário Augusto e Nilcéia Gomes, gravado em 1993 pelo grande Bezerra da Silva.
 


Escrito por moncha às 21h20
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